A cultura do psytrance derivou do movimento de contracultura, que seria um movimento de questionamento e negação da cultura vigente, que visa quebrar tabus e contrariar normas e padrões culturais. No brasil, esse movimento se intensificou por volta da década de 60, com o golpe da ditadura militar. A crença de revolução disseminada na esquerda brasileira gerou um processo de politização na produção artística.
Esse estilo musical e cultural começou na Índia, por volta dos anos 60, no estado de Goa. Chegou ao brasil nos anos 90 trago por estrangeiros, que vieram pra cá e resolveram fazer uma festa no sul da Bahia. A partir disso esse movimento foi disseminado cada vez mais até chegar no que conhecemos hoje.
O movimento psicodélico é um movimento estético e artístico. As festas trance são celebrações onde se atravessa diferentes estados espirituais sob o efeito estimulante das cores, luzes e movimentos, sendo realizadas em lugares considerados centros energéticos, como praias, florestas, ruínas, etc. A decoração alude a divindades totêmicas, egípcias, pré-hispânicas, hindus, psicodélicas e cósmicas. A característica principal dessas festas é que elas não se baseiam apenas na música, incorporando também elementos locais e ancestrais, e criando, dessa forma, todo um movimento cultural em que se baseia o conceito e planejamento do evento, em uma atmosfera de tolerância e aceitação. A organização de uma festa trance é, portanto, semelhante a um ritual, onde o elemento primordial é a harmonia entre as pessoas, para que assim se possa alcançar os estados elevados da consciência, convertendo-se a festa em um ser vivo e inteligente, em completa harmonia com a natureza e o cosmos.
O Psytrance está muito ligado à natureza e carrega como cultura a filosofia de vida do PLUR, do inglês para o português, Paz, Amor, União e Respeito. Outras características interessantes presentes nesses eventos são: exposições de arte, intervenções artísticas, meditação, yoga, tenda de cura, reiki, entre outros. Grande parte dessa cultura inclui elementos do hinduísmo, budismo e xamanismo, fazendo referência à India, berço do trance.
Nos festivais de trance psicodélico as pessoas podem jogar com suas potencialidades, podem trabalhar com seu corpo, com a sua imaginação. Para isso são oferecidas oficinas de arte, como mandalas, massinha, malabares, entre outras. Além de acontecerem performances na pista de dança. Nestes festivais as pessoas podem ser elas mesmas, podem ser personagens, seja numa roupa, seja numa performance, trabalhando e jogando com a imaginação interior de cada uma delas.
Os festivais são uma “forma de resistência poética à civilização atual, uma maneira de dizer não à economia, ao tempo, às leis, ao mundo material, à igreja; e entregar-se à magia, ao imaginário, ao mito, ao jogo, ao rito, e a tudo o que está enraizado nas profundezas do ser humano”.
https://bdm.unb.br/bitstream/10483/34312/1/2020_LucasMagalhaesDuarte_tcc.pdf
https://bdm.unb.br/bitstream/10483/15946/1/2016_RenatoMacedoMachaimFranco_tcc.pdf
http://www.dfe.uem.br/comunicauem/2019/10/11/psytrance-da-origem-ao-que-e-hoje/
https://colorsdj.com/materia-psy-trance-no-brasil-como-tudo-comecou/
https://trance.com.br/blog/cultura-psicodelica/o-movimento-trance-psicodelico
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