CircomVida no Universo Paralello
Performances Circenses no Movimento Cultural Psytrance Nacional
sexta-feira, 10 de novembro de 2023
quinta-feira, 9 de novembro de 2023
Entrevista com Marcella Romar
SOFIA - Olá, boa tarde, eu me chamo Sofia, sou estudante de artes cênicas, esse semestre estou fazendo uma matéria que se chama teatralidades brasileiras e a gente tinha que realizar alguma pesquisa sobre alguma teatralidade, e aí eu resolvi pesquisar sobre a teatralidade circense dentro do movimento cultural alternativo do Psytrance, né, aqui dentro do Brasil. E aí, a partir disso, resolvi entrevistar alguma trupe, algum artista, que trabalha nesse meio, realiza performances, tem experiência aí e tal, e estou aqui com Marcella Romar, artista circense, educadora, produtora cultural, que mais?
MARCELLA - É isso, vamos.
SOFIA - Maravilhosa, então, para começar eu queria te perguntar como foi que você começou no circo, se interessou, e como você começou a trabalhar com isso.
MARCELLA - Na época, eu estava fazendo gestão ambiental, inclusive na UnB de Planaltina, era o primeiro curso na época, então, estava bem uma loucura, e começaram a acontecer várias coisas na minha vida e eu comecei a ter crises de ansiedade. Meu pai ficou doente na época, aconteceu várias coisas. E como eu sou super pro lado natureba, eu não quis tomar remédio e pensei: Ah, atividade física, né? Curar com movimento, através do movimento. E eu comecei a fazer circo, na época era na UnB, no centro olímpico, quem dava aula lá era a belinha, a Bella Levi. E eu comecei a ter aula com ela, de acrobacias aéreas. Praticava também corrida, comecei a correr e fazer academia. Comecei um movimento bem, movimento mesmo, assim. E depois disso apaixonei, né? Belinha já colocou a gente no palco, eu falei, cara, é isso que eu quero pra vida. Sabe apresentar e fazer arte fazer esse movimento. Acabou que o circo é a minha terapia até hoje, né? Porque até hoje tem momentos, né na vida que a gente fica ansioso, que a gente tem essas crises, essas doenças psicossomáticas, e vem o movimento e já era, esquece de tudo, né? Então pra mim, o circo, além de ser arte, cultura também é cura, também está nesse lugar. Depois disso, eu comecei a dar aulas, e fazer apresentações. Apresentações como foi, né? Foi primeiro. Eu conheci o Eduardo Marucci, que é um rasta lá de São Sebastião. Ele é professor de educação física na rede pública e também artista circense. E ele me convidou, ele falou: pô, vamos lá para Pirenópolis, vamos fazer uma apresentação. E eu vamos, vamos. É para contar toda a trajetória? Eu estou contando a trajetória.
SOFIA - É, se você quiser, pode contar.
MARCELLA - E aí eu falei, vamos, né, vamos para Pirenópolis. E quando eu fui eu não sabia, andar de perna de pau, em uma semana eu aprendi a andar de perna de pau, eu só era aerialista, e aí em uma semana eu aprendi a andar de perna de pau, e fazer malabares com fogo, em uma semana.
SOFIA - Você não sabia fazer malabares.
MARCELLA - Não sabia, nunca tinha
SOFIA - Você começou então nas acrobacias?
MARCELLA – Nas acrobacias aéreas. E daí eu falei, cara, eu topo né? Eu amo desafio, falou bora, eu bora, né? Vamos. E aí topei, em uma semana peguei perna de pau, uma semana peguei o leque de fogo e swing, que eu já fazia swing, mas esse swing de rave né, que é aquele básico do básico que a gente dá uma brincadinha ali. Era a única coisa que eu já tinha feito né. Mas assim, não como profissional, mas sim como brincadeira, ali em festival e tudo.
Sofia
Uh, Hum.
MARCELLA - E daí foi isso, fui para Pirenópolis, apresentei e achei incrível. Logo depois, o Dudu começou a me chamar para vários eventos e eu comecei a me interessar mais no equipamento para apresentação circense, que é esse equipamento que vai pras raves, né, que vai para os festivais, que é o que vende, o que vende para o público, uma linguagem mais unificada, né, que é a linguagem ali do corpo, do movimento em cena, fazendo coisas que chamam atenção, fogo, LED, perna de pau era mais performático, que é o que os festivais também pegam, né, que é a performance. E aí comecei a fazer esses movimentos com o Dudu, e depois ele criou um projeto que foi, a princípio apoiado pelo Fundo de Apoio à Cultura, que eram aulas para a comunidade de São Sebastião, gratuitas, circenses. Uma escola comprou a ideia, ele construiu uma loninha, e a gente dava aula lá pra comunidade, pra crianças de escolas públicas. Então a gente pegava diversos alunos, assim, que passavam por dificuldades, né? Que tinham ali seus desafios, assim como todos, e apresentava o circo, e ali também era aquele lugar, né, que eu falei antes, o de cura. Eu via, inclusive as crianças, elas estão em um movimento, ali da comunidade, e entram num circo, já vira uma outra coisa, sabe? E aí eu comecei assim, e daí foi indo né? Foi indo, foi indo e eu comecei, vários trabalhos, a galera começa a te reconhecer né, como artista, então, começam a te convidar pra mais coisas. E aí você passa a fazer produção, e aí você passa a também ser produção, porque até então você está sendo convidado por artistas que já fazem as suas produções, e aí depois você observa que você precisa também fazer, você precisa se vender, você precisa vender esse material, que você tem, artístico. E aí você começa a trabalhar nessa área, e qual é a área que mais vende, né? Pelo menos na minha caminhada, qual que eu conseguia vender mais? Era caminhada das músicas eletrônicas, das festas, dos festivais. Durante essa caminhada, essa trajetória, eu comecei a vender primeiro para pequenos eventos em Brasília, de raves, assim, a Florest...
Então a gente começou a vender esse material, que eles compram mais malabares de fogo, nisso eu comecei a aprender bambolê, e comecei a aprender coisas que vendem mais. Pra mim 3 bolinhas era dificílimo, era a coisa mais difícil do mundo, para mim era bem mais tranquilo o movimento ali, né bambolê, algo que não sai do corpo né, que tem esse contato, pra mim era mais simples. E daí eu comecei a aprender materiais que participam dessas festas né. Comecei ali, querendo ou não, você já entra no teatro, já entra numa performance, você já, a partir do momento que você coloca uma roupa, você já vira um personagem, e aí você vai entendendo a movimentação desse personagem, né? Quem esse personagem é? Como ele fala, como ele se move, como ele olha, como ele respira? Você começa um estudo, uma busca, e às vezes eu sinto que é muito na hora. Quando a gente começa a trabalhar nessas festas, a gente começa a observar que a gente não ensaia muito, a gente tem um tempinho ali de treino né, e não ensaia. E aí chega na hora você coloca roupa, e o treino ou pesquisa vai na hora. Você olha aquele personagem e fala, massa sou isso. E aí você começa a apresentar esse personagem, mas de uma forma mais brincante, que você vai se descobrindo também, então você acaba brincando, você brinca com o público, as vezes você está com um olhar mais pra dentro, você se observa mais, você não tem muito contato visual, aí depois você já abre a percepção. Poxa, não estou olhando para o público, eu estou estudando o personagem, mas não estou olhando para ele. Aí você já passa pra um outro nível ali, de estudo e improviso, né? Porque você está ali improvisando, você está ali. Cada reação do público é única, cada pessoa é única que vai ali mexer com você, então cada movimento seu é único. Não tem muito como planejar. O que que eu vou falar? O que que eu vou fazer? Não, é improviso, é você vai ali. Mas tem épocas que a gente está mais disciplinado e a gente estuda o personagem, então a gente já entra no personagem muito bem, assim né. Já olhando, já encarando, já... Vai continua.
SOFIA - Tá, e aí quando vocês vão levar trabalhos para esses festivais em específico de Psytrance. Como é que são pensados esses números para essas situações específicas.
MARCELLA - Legal, os números. Depende de cada rave né, de cada evento. Porque, eventos pequenos em Brasília, vamos pensar mais ali no fogo, pernas de pau e LED e aí a gente começa a pensar, quem faz? Quem já se conhece, pra já ter uma interação, porque, como eu disse antes, é muito desafiador o ensaio, principalmente quando é algo grupal, que o cache é pouco e a gente não tem como pagar ensaio. E vamos assim né. Então eu já penso, quem se conhece? Quem já tem uma brincadeira juntos. Vou produzir algo maior, com mais artistas, eu já penso nisso. Quem eu convido tem que conhecer o outro artista, pra já ter essa comunicação. Esse é um dos pensamentos né. Outro é dinâmica. Tá, quem entra primeiro? Eu penso muito no primeiro ser mais sutil. Por exemplo, a gente vai...
SOFIA – Problemas técnicos, normal.
MARCELLA – Pode continuar?
SOFIA – Pode acho que vai ser de boa
MARCELLA – Aonde que eu parei? Não lembro
SOFIA – Dinâmica, quem entra primeiro, né?
MARCELLA - Ah, sim, e aí você começa a pensar nisso. Se eu mexo com fogo, eu vou colocar algo mais sutil pra chegar, conseguir abrir uma roda. Tudo depende de onde você vai apresentar, se é no palco, você tem que apresentar já um boom de primeira, o primeiro número já tem que mostrar quem eu sou, o que que eu vim fazer, então já é algo mais certo, se for no palco. Agora se tiver que abrir roda, no meio do público, pensando que é um festival de música eletrônica, provavelmente vai ter muitas pessoas que estão usando ali psicoativos e lisérgicos, então você tem que pensar, que que eu tenho que fazer para abrir uma roda de forma consciente, com cuidado com o público, sem machucar ninguém e ao mesmo tempo ser efetivo, conseguir fazer aquilo, conseguir abrir a roda? Então você pega um equipamento mais tranquilo e vai chegando de mansinho né, acende fogo ali, mostra que vai acontecer uma performance, começa com movimentos curtos depois vai para algo mais expansivo, até conseguir uma roda e aí vai abrindo, vai entrando outros artistas, e aí vai acontecendo né. E aí, quando é uma roda, vai fluindo do pequeno pro maior e o final é aquele boom né, aquele algo mais especial. Agora em palco, a dinâmica já é outra, começa com um boom mostrando quem somos, o que vai acontecer ali, já dando uma clareza daquilo, depois vai para algo tranquilo porque a gente já tem atenção do público, o público já sentou e já está ali tranquilo, e ele vai ficar até o final, então a gente pode abaixar, a gente pode abaixar um pouco, a gente pode brincar com o público, e depois o boom final, é claro, o final tem que ser espetacular né, e em festival, principalmente. Em outro tipo de performance, de palco né, de teatro é outra coisa, o final ele pode ser pra baixo, não tem problema. Mas agora em festival, tem que ser pra cima, porque dali ele vai pra outra experiência né, então você tem que deixar o público para cima, com uma experiência boa.
SOFIA - Têm que fazer ele lembrar daquilo, né?
MARCELLA - É, e também ir pra próxima experiência dele feliz, falando uau você viu aquilo que isso? Sacou? Então ele já vai pra outra experiência, aberto, feliz, então provavelmente a próxima vai ser muito boa também. Então o artista, ele abre caminho, né? Eu penso que seria muito interessante ter um trabalho de um estudo, de como é uma pessoa que está ali na vida tradicional, ali dela de todos
os dias, e aí ela vê um artista, e aí aquilo muda nela. E o que que acontece depois que ela passa por essa transformação de humor.
SOFIA - Sim, acompanhar, né?
MARCELLA - Sabe, acompanhar o dia a dia, a vivência, né? Eu acho que seria interessantíssimo, mas é isso, você tem que subir pra pessoa sair dali, cara, você mudar a vida daquela pessoa, porque ser artista não é só mostrar, mesmo em festival, que você é habilidoso, artista não é mostrar aquilo, também faz parte, é claro, mostrar sua habilidade, mas você tem que conseguir atingir além, além do ego né, além desse lugar. Transformar aquela pessoa que você está tendo contato né. Que mais? Ah tá disso, aí de perna de pau já tem que pensar em outras coisas, então cada coisa de festival é um, festival normalmente é no meio do mato, é em praia, então você não vai chamar um pernalta que está no seu segundo dia de pernas de paus, tem que chamar alguém que já sabe, que vai saber cair no buraco e sair do buraco sem cair, você já tem que chamar as pessoas pensando naquele de montar equipe. É claro, eu posso abrir espaço para alguém que é novo ir? Claro que posso, mas aí eu vou ter que colocar uma atenção a mais nessa pessoa. Eu já tenho que ir pensando, eu vou ter que ficar de olho, vou ter que ficar perto da assistência. Já aconteceu comigo, né, de convidar pessoas iniciantes. Dá um trabalhinho ali, mas é um trabalhinho satisfatório porque você está botando a pessoa para jogo, eu precisei do Dudu para me botar para jogo, eu precisei dele para me colocar, então tem que ter essa pessoa que te coloca. Então, às vezes, é claro que a gente chama também, né, a gente fala, acredita, vê que a pessoa tá potencial máximo, muito massa, a pessoa bora com a gente, né, tá treinando, tá disciplinada ali tá na vibe. E eu acho que festival é isso, você tem que pesquisar, tipo de chão. Produção né! Pré produção, tipo de chão, que que a pessoa vai fazer, quanto tempo? Negociar, é muito importante negociar o tempo e o valor do artista. Eu lembro que no começo eu vendia coisas muito baratas, porque eu queria vender. Mas depois de um tempo, a gente cria consciência e vê que é pior você aceitar, porque você acaba mostrando que o artista é fácil, qualquer valor paga, né. Você paga isso, sei lá, 200 reais pra ir num show, que está tendo agora, né, esses dias agora em Brasília vários, você paga 200 reais, mas você não pode pagar, né, um outro movimento ali. Vai próximo.
SOFIA - E você acha que o figurino e a maquiagem fazem diferença nessas performances?
MARCELLA - Cara, você está em uma rave, né? Em um festival que provavelmente 90% da galera vai estar muito doida assim, né? Falando a real assim, né, que que a gente pensa. Você tem que atingir o auge dessa loucura dessa pessoa, porque tudo pra ela já está muito lindo, tudo pra ela já está incrível, já tem outras cores, outros formatos talvez, outras. Então você tem que ir além dessa viagem dessa pessoa, você tem que conseguir alcançar essa pessoa que já tá vendo o mundo diferente, que já tá com outro estado. Atingir uma pessoa que está ali, isso num estado cotidiano dela, em uma festa normal, é uma coisa, você chega meio lúdico ali e já dá certo. Agora, em um festival você tem que ser além, você tem que produzir algo muito incrível, de figurinos de maquiagem, algo muito impactante. O que que acontece? Existem alguns desafios em relação a isso, né, pra nós, artistas, nós temos que ser produtores, maquiadores, figurinistas, e artistas, né? Então, o que que acontece? Em poucos festivais, existem pessoas pra te maquiar. A Universo Paralello tem, tem 2 maquiadoras, a gente marca um horário lá, sabe o nosso dia e pá, marca o horário, ela está lá, aonde a gente combinou e a gente faz a maquiagem. Não é tão simples, é claro, o Universo Paralello é gigantesco, ás vezes ela pode chegar atrasada, ás vezes seus artistas podem chegar atrasados, lá não pega muito, né, é difícil carregar celular, seus aparelhos, né, é difícil saber a hora, é difícil, então você entra num festival desse, você tem que saber que os seus artistas também vão achar difícil, né, saber a hora, então não é tão fácil né, tem maquiadora, têm, têm horário pra gente se encontrar, têm, mas só pra deixar claro que é bem desafiador assim né. Eu estou tendo sorte ultimamente de
ter artistas muito pontuais, muito prestativas de chegar ali na hora, né, de estar convidando estes artistas que já fazem parte da cena e já sabem como funciona. Isso facilita muito a vida de um produtor, artista, maquiador, figurinista. Sabe, porque ele não tá fazendo só uma coisa ali, ele tá fazendo mil coisas, então convidar pessoas que já sabem da cena e já sabem como funciona facilita muito, muito. Então, questão de maquiagem, é legal você montar um grupo, é já mandar pras pessoas, vocês vão usar o figurino tal, tal, tal, e a maquiagem vai ser estilo tal, e já manda pro artista 3 fotos de maquiagens similares que ele pode criar e produzir, então ele já vai preparado com a maquiagem dele, com as cores que combinam, e já facilita também um outro trabalho né. Você conseguir produzir antes, ter essa pré produção mesmo, facilita a vida assim. E é isso, em festival, vamos lá, já que a gente está falando pra uma universidade pode falar tudo que acontece, né? Pode ser verdadeira?
SOFIA - Sim, pode.
MARCELLA - Acontece que artistas, às vezes em festival, ficam doidões e aparecem doidos de LSD, e aí você fala: E aí, amigo, ta de boa? Ele fala: Não, to de boa, to de boa, cadê, cadê. E aí começa em uma outra viagem. Ou então desligadíssimo, ou então ali, do outro lado, fumando um com a outra maquiadora. Com a outra maquiadora tá fumando um lá, e você tem que ficar: Vamos gente, vamos, a gente tem horário, o Sol vai. É um horário, assim gente, que é marcado, é antes do pôr do sol, então você tem que se ligar, o Sol está ali querendo se pôr, é a hora de você entrar, entendeu? Se você não entra naquilo, você volta no escuro e não é tão potente como você queria. Se a performance for diurna, né, ter o figurino que chama atenção. Então em relação ao figurino, você tem que ver isso. Ele é noturno, o espetáculo, ou ele é diurno? O que chama atenção nele pro diurno e o que chama atenção pro noturno, né? O figurino e a maquiagem conta tudo, porque normalmente um festival desse, por exemplo, de perna de pau, a gente faz cortejo. Som rolando em todos os lugares, não tem como você manter um diálogo ou fazer alguma intervenção, assim, com som, o que você mostra ali é o seu corpo em cena.
SOFIA - Visual, né?
MARCELLA - O seu visual, o seu figurino, a sua maquiagem, você mostra o que você tem ali. Mas você de alguma forma vira meio mimo também, né? Trabalha um pouco com a mímica ali, com esse lugar. Acho que de figurino é isso.
SOFIA – Massa, dá toda a diferença né.
MARCELLA - Dá toda diferença.
SOFIA – Sim, e eu acho que essas coisas que você falou, também já entram um pouco na próxima pergunta que é, quais as dificuldades que a gente encontra para levar essas performances para esses espaços, né?
MARCELLA - Olha eu já falei de algumas coisas, né? Então eu vou falar do outro ponto, que é o ponto do palco. É isso, festinhas pequenas, elas normalmente não tem palco, você tem que chegar na festa, olhar, observar, e ver qual é o melhor lugar, porque, a pessoa que está produzindo a festa, quase todas né, não sabe produzir um artista circense, e falar assim, aonde ele vai ficar. Às vezes eles pedem pra gente ficar em lugares absurdos que a gente fala, não tem como a gente fazer, o quê? Perna de pau em cima de uma montanha, sacou? Tipo assim, não tem como a gente fazer perna de pau em cima daquele trator velho, *****, como que a gente vai subir com a perna de pau? Mas eles têm essa visão, eles olham e falam assim, não, a gente queria você ali ó. Aí você fala, nossa, é sério? Pera aí. Então você tem que ter uma visão, você tem que ter uma visão pra ser massa a sua
performance, porque você está vendendo, é muito importante não escutar ele, e sim o que você já tem de experiência e o que você já sabe que o artista vai fazer, então vai fazer perna de pau, olha o chão, avisa pro artista, ó eu vi uns buracos ali, perto do palco e tal. Você tem que se ligar, tem que fazer o reconhecimento do lugar, vê aonde você vai ser mais visto né, pelo público, aonde pra você aquilo que você vai oferecer vai ser mais potente. Você tem já que ter essa visão geral. Agora, quando você vai pra um festival que têm palco. Um único que eu apresentei até hoje foi o Universo Paralello e o Ressonar, o Ressonar também já apresentei em um palco. Você tem que ir no palco, normalmente palco de festival é palquinho de madeira, então você tem que ver se tem farpa, às vezes tem artista contemporâneo que vai usar o chão, então você tem que ir lá ver se realmente dá para ele apresentar, se não der para ele apresentar, que é que você tem que fazer? Correr atrás, vou colocar uma lona, vou colocar um picadeiro, vou colocar o que para ele ali né, de lona, pra facilitar esse artista. Então você tem que vê o que o artista tem, o que o lugar te traz e o que você pode fazer para contemplar esse artista também né, fazer o trabalho dele ser o melhor, assim. E o nosso também né, nós como artistas, não só como produção, temos que ir lá também, olhar e falar, olha para minha performance ser melhor, minha apresentação tem que ser assim, assim, assim. Que que rola? Palco -> Universo Paralello -> Circulou: tem uma pessoa que fica no som? Tem, nem sempre essa pessoa está no som, é um festival né, um festival. Então você tem que se preparar para tudo. Chegou, esse reconhecimento do espaço, principalmente em festival, você tem que ir lá ver qual é o som, ver como liga, como desliga pelo menos, como passa música, caso você chegue lá, tá no horário da sua performance e a pessoa do som não está lá, você tem que saber um básico, né? Eu acho que isso é para tudo, pra vida. Tem que saber um básico de como. Então esse reconhecimento também cabe ir lá, e fazer isso. Tem luz? Tem. A performance é de noite? Verifica luz, olha tudo.
Em festival tudo é muito diferente, não é igual você fazer performance ou ser produção de qualquer outro evento, é muito diferente. Além de tudo, o Universo Paralello é Bahia, tem muito vento, né? Então, malabares que atinge alturas, tem que ter cuidado, tem que ver para onde está o vento. Fogo tem que ver para onde está o vento, porque você pode se queimar, então você tem que, além de tudo, você tem que ir lá e observar isso, né? Claro, é isso, tem artistas que já têm a sua trajetória e já sabe olhar isso, então você não precisa ficar atento com esses artistas porque eles já sabem. Mas vem aquele mesmo cuidado com o artista né, de chegar e relembrar, galera cuidado com o vento, vamos observar o vento, para onde que ele tá, né? Então tem areia que vem, tem, pô andar de perna de pau na areia, tem várias coisas, né? E a gente lá na Universo, a gente consegue vender outras coisas que não é só performance, a gente vendeu o nosso espetáculo, que é Os Irmãos Sukulonsky, e é um espetáculo circense que envolve tudo né, então a gente teve que olhar o chão para ver se o monociclo andava bem né, envolve arremesso de clave, envolve que o Circulou é muito aberto, tem muito barulho a gente tem que estar com o microfone, senão a gente morre com a voz e ninguém escuta a gente. A gente dentro do festival também tem esse lugar, do palco, de você observar exatamente o que a gente já está acostumado no palco da cidade né, observar tudo isso que acontece. E também varietés né, a gente conseguiu vender oficinas, eu dou a oficina Corpo Orgânico a já, sei lá, 6 edições lá na Universo. Você tem como ser chamado por outros profissionais de lá né, a pessoa já vai. Eu sempre trabalho com a NewRonio também, dando oficina de malabares. Então você faz parcerias, esse rolê de você se encontrar no festival, você encontra artistas que são de festival, então você ama estar nesses festivais, porque você encontra a família do circo de festivais, sabe, é bem diferenciado o artista de palco e o artista de festival, tem artistas de festival que só trabalha em festival, não mexe com palco, tem artista de palco que só trabalha com palco, só mexe com palco, e tem artistas, que nem eu estou sendo né, de palco e festival, porque eu amo os dois lugares né, eu amo a rua, amo outro movimento.
SOFIA – Sim. É isso?
MARCELLA - É isso. Você acha que foi bom?
SOFIA - Foi ótimo! Tá, eu tenho só mais uma pergunta ou duas, não sei se vai dar tempo. Eu ia perguntar, tipo, qual é a diferença dos números de festival para os números de picadeiro convencional, né? Que é muito diferente.
MARCELLA - É, é bem diferente, é isso. Tem performances que você faz com o público né, dentro ali, a galera tá pulando, tá rolando a festa, e você tá ali interagindo com essa galera, né? E tem essa diferença do palco, que é um outro cuidado. Que é isso, só o Universo Paralello e Ressonar que eu já apresentei em palco, e o palco do Ressonar era muito pequenininho, então tem que observar isso também né, o que o palco me oferece, até onde eu posso ir. Às vezes é um palco minúsculo, ou então às vezes é um palco que tem um pé direito baixo, e aí você não consegue jogar um malabares, sabe? Então você tem que ser multi, você tem que saber improvisar, tem que saber chegar lá. Não dá para fazer malabares? Pô, você vai perder aquela apresentação? Não.
SOFIA - E as narrativas são muito diferentes, né? Tipo, no picadeiro às vezes é muito aquele circo convencional, o palhaço, a história, o teatro.
MARCELLA - Exato, exato.
SOFIA – E em festival já é mais a performance só, né?
MARCELLA - É, não, e você tem que entrar com público também, né? Também tem a parte que você está muito próximo do público né, o palco tem as pessoas que estão próximas a você e tem as pessoas que estão longe, ali na performance você está tão próximo que a pessoa toca em você, então é um outro cuidado que tem que ter. Tem gente que te vê de perna de pau, quer passar por debaixo da sua perna, não avisa, já chega abrindo sua perna para passar por debaixo, sabe? Então é um lugar que é um pouco invasivo. Eu já apresentei uma vez na, só pra contar uma dessas diferenças para você ver o tanto que é aberto, e você tem que jogar com aquilo. Eu estava em uma performance com a NewRonio na Universo Paralello, a gente estava todo mundo de perna de pau, sete artistas andando na principal, fazendo uma performance na principal, todo mundo com figurino todo de LED, calça de LED, então todo equipado ali e a gente andando, e daqui a pouco vem uma pessoa, aí a gente saiu do palco principal e foi pro alternativo, e aí quando a gente chegou lá, gente, eu comecei a ganhar tapa na bunda, tipo assim, eu comecei a ganhar tapa na bunda mesmo assim, sabe, da galera pular e falar, uau que bumbum apertado, tapinha, pedir beijinhos, sacou, era um outro público. Então, você está em cena? É sim, é sim para tudo. Não está gostando daquilo? Fala sim, mas se vira para mudar, se vira para mudar. Deu um tapa na bunda, pede um beijo, sacou? Já curte uma outra vibe. Então você vai para um outro lugar, se você levar aquilo a sério né, e entrar em uma em cena, cara, assim vai ser sofrido, né? Vai ser sofrido continuar. Agora, se você entra na vibe e fala, pô eu estou em cena, né? Eu estou aberto ali, falando sim, eu também posso brincar com essa probabilidade de alguém bater na minha bunda, o que que eu vou fazer? Qual é a reação? Só acontecendo pra gente saber, né? Então, é um estudo, é um estudo. Que que eu vou fazer, né? Aí a pessoa bateu na minha bunda, eu virei e, uau, bati na mão, a pessoa já me deu biquinho eu dei um beijo, e é isso, entra na vibe, sacou. Então eu acho que é isso.
SOFIA - Porque pode mudar tudo, né?
MARCELLA - O público pode mudar tudo, dentro ali da performance.
SOFIA - Você pode planejar uma coisa e sair outra totalmente diferente.
MARCELLA - Exato, totalmente diferente, e lá mais ainda, porque isso, ele tem uma interação direta contigo, sem seu convite para entrar no palco, né? Não tem um convite: entra no palco, vem me ajudar. Não tem, é ali direto.
SOFIA - Massa. Tá, aí para finalizar, você acha que essas performances fazem diferença nos festivais, e tem um impacto positivo?
MARCELLA - Claro, eu acho que tem que ter até mais. Inclusive eu acho que tem que ter mais. Em festivais pequenos, eu sinto que ele é muito visual, né a performance ali, então ela vai atingir o público de uma forma que o público vai olhar e vai falar, uau né, uau que incrível aquilo. Uau olha está tendo fogo, vamos olhar, né? Gera esse lugar assim da atenção do público, da atenção que eu falo, principalmente, da forma positiva né, dele olhar ali, ele pode vei tá numa bad. Vamos pensar né, festival. Ele pode estar passando por uma bad, chega um artista ali e pá fazendo fogo, pode tirar ele total dali daquele lugar que ele está.
SOFIA - Uma coisa é você ir pra uma festa, ficar 12 horas dançando no palco ouvindo música. Outra coisa é tipo nessas 12 horas acontecerem várias coisas né, acontecer uma performance, tipo, acho que faz toda diferença né.
MARCELLA - Exato, então eu acho que faz toda a diferença, e assim no festival, por exemplo, a Universo Paralello né, que a gente alcança o outro lugar do palco. Eu sinto que o Circulou ele é terapêutico. O Circulou, se você vai e não curte música eletrônica, você vai se amarrar no festival mesmo assim, porque tem o Circulou. O Circulou é o lugar da cultura né, é aquele lugar que vai levar a cultura popular, a cultura circense, a capoeira, o movimento, as performances, a risada né, ali as coisas incríveis que o circo faz né, que tem pessoas que olham e falam, nossa isso é impossível, colocar, sei lá, o pé no olho, que isso, tipo né. Pô, tem umas paradas que a galera fala que é incrível né, então a gente mostra esse outro lado do nosso universo. É o lugar de mostrar o universo circense, o universo que tudo pode, se eu quero ficar de cabeça para baixo, andar com as mãos, se eu quero qualquer coisa, a gente consegue né, com muito treino, dedicação, é claro, mas a gente consegue. Mostrar que é possível, eu sinto que o circulou, ele além de ser terapêutico, de ser um lugar ali que você vai para descansar, você se alimenta de cultura, você se alimenta de várias culturas né, porque vai, isso do hip hop ao, nossa um monte, né?
SOFIA - Não é só do circo né.
MARCELLA - Eu sinto que é necessário, é isso, cada vez, mais melhor, mais artistas melhor fica.
SOFIA – Massa. Bom é isso, você quer dizer mais alguma coisa?
MARCELLA - Massa amora. Ah, eu acho que é isso. Festival, né velho? É uma parada muito doida o festival velho. Muito legal sua pesquisa, porque é isso, ele vai além, né? Ele vai além das propostas tradicionais, você está em um lugar que já está em festas. Porque a galera às vezes chama a gente pra festa, que é pra gente levar mais alegria, mais na na na, e o festival eu sinto que vai além disso. Ele traz uma miração, um lugar do mágico, excêntrico. Não sei explicar, mas é bem diferente.
SOFIA - Não cabe em palavras, né.
MARCELLA - Não cabe em palavras.
SOFIA - É to ligada. E você teria algum vídeo de alguma performance de vocês no Universo Paralello ou em algum outro festival, que você possa me disponibilizar? E que eu possa, tipo, botar na minha pesquisa e mostrar.
MARCELLA - Tenho vários, vários vídeos. Posso, tem um monte, tem no YouTube até, só pegar lá.
SOFIA – Beleza, massa.
MARCELLA – Ah, uma coisa que eu ia falar, que é muito importante sobre produção em festival. Propostas da produção do festival, alguns te pagam, não bem, são poucos festivais que te pagam bem, mas a grande maioria dos festivais te dão ingresso de troca. O que que eles estão fazendo? Eles estão fazendo você fazer propaganda deles, e ao mesmo tempo vender ingressos, entende? E se pagar, pagar o artista, você está se pagando, com o movimento que você está fazendo. Que que eu acho disso? Horrível, eu acho horrível, mas o que que eu faço? O que que eu tenho que fazer, né? O Universo Paralello, ele paga bem, ele paga bem, então para mim, financeiramente, vale a pena vender o ingresso dele. Mas que é um desafio fazer a pré produção do Universo Paralello. Cara, é muito desafiador, porque você não está só atrás de fazer figurino, achar artista, saca tipo, produzir tudo, criar espetáculo novo para ir, isso tudo em 3 meses, eles fecham com a gente faltando 3 meses, e é um festival gigantesco, eu levo 8 artistas né, normalmente somos 8 artistas. Então assim, é horrível ter que vender os ingressos, velho assim, terrível mesmo. Você tem que se virar, divulgar pra caraca, aí tem um estresse, que pô se eu não vendo e agora, né?
SOFIA – Como é que eu vou me pagar, né?
MARCELLA – Como é que? E aí, aí eu ligo pro Paulinho né, que é produção. Paulinho, e aí vocês vão me pagar, velho? Não estou conseguindo vender. Claro a gente sempre vende, nunca aconteceu da UP.
SOFIA - Isso que eu ia perguntar, se vocês conseguem vender todos os ingressos?
MARCELLA - A gente consegue, mas é essa loucura, toda edição é essa loucura. Tem gente que compra no penúltimo dia, ingresso da gente, sabe? Claro, a gente tem que diminuir o valor, não é o valor que eles estão propondo em cima do ingresso, por exemplo eles proporam R$1.300 edição passada, de ingresso, cada ingresso. Eu consegui vender alguns por R$1.450 , outros conseguiram vender por R$1.000 , então assim às vezes eu recebo menos do que eles estão propondo, às vezes eu recebo mais, depende do seu movimento de venda, que é muito desgastante, muito desgastante. Eu não sou vendedora né, então pra mim é muito desgastante fazer isso. Sou vendedora sim, da minha arte, do meu movimento, mas de ingressos de um festival, pra mim aí já vira outra coisa, né um outro tipo de venda, não é o que eu estou acostumada.
SOFIA - Você tem que fazer um trabalho a mais, né?
MARCELLA - Exato. Isso, só para falar do desafio, que ali no ponto dos desafios acontece também em festival.
SOFIA - Isso no Universo Paralello, né?
MARCELLA - Isso no Universo Paralello. O Ressonar ele paga. Ele paga e dá ingresso, já rolou comigo, já rolou comigo. É negociação, você tem que ser bom na negociação. Agora, o Universo Paralello só paga com ingresso, não tem outra opção, é só ingresso, você tem que se virar com seus ingressos. É isso, para mim vale a pena porque eu estou indo bem, estou indo como produção, como artista, oficineira, ainda trabalho com a oficina da NewRonio, então para mim é muito abundante a Universo, e vale a pena a correria, mas se fosse só para mim ir como artista, eu ia pensar assim, sabe? Se eu tivesse que vender o meu ingresso, né? Eu é porque eu vendo a maioria dos ingressos dos artistas que eu convido, peço para divulgar também, claro, pra ajudar, mas eu que vendo a maioria né. E é desafiador, é isso, é bem desafiador. Só para falar desse desafio.
SOFIA - Sim, importante falar.
MARCELLA - É porque velho, se for um festival pequeno aqui em Brasília, e tem que vender ingresso, eu não venderia amiga, eu não venderia. Sabe, ia ser muito desgastante. Pouca grana e eu ainda vou ter que trabalhar pro festival divulgando? Que loucura né! Mas o Universo Paralello para mim vale a pena, porque eu já tenho clientes também né, tem pessoas que. Como eu já vou, essa vai ser a sétima edição que eu vou, como artista, então como eu estou indo pela sétima edição, eu já tenho clientes, eu já tenho pessoa que sempre compra comigo, então para mim me facilita, a galera já me procura bem antes, da tipo junho, eu já recebo um monte de mensagem: e aí, os ingressos, quando vão sair? Nunca sei, né, nunca sei porque. Tem que falar: nunca sei, mas vai sair, então espera que vai sair. E como a galera já compra comigo, eles confiam eles sabem que vai sair, e sabem que vão comprar de uma pessoa que realmente vai dar certo. Né, e os ingressos que a galera compra dos artistas da Universo Paralello, tem esse ponto que facilita a gente a vender, eles podem entrar pela portaria de artista, ou seja, elas não pegam a fila gigantesca de um dia inteiro do Universo Paralello, ela já chega entrando, pega a filhinha de artista, que é muito mais suave. Então tem esse ponto que facilita a gente, né? Por isso até que a galera espera para comprar com a gente, a galera espera, porque ela pode até pagar o mesmo valor que está atualmente né, mas tem essa vantagem, não vai pegar fila.
SOFIA - Aham, é uma vantagem, né? Não vai pegar fila. Ah, é isso. Muito obrigada, foi muito útil.
MARCELLA - Gratidão, arrasou.
SOFIA - É isso.
MARCELLA - Parabéns pelo projeto.
sábado, 21 de outubro de 2023
Perguntas para entrevista
1- Como você se interessou e iniciou no circo?
2- Como foi o processo para começar a trabalhar com performances circenses?
3- Como os números feitos para os festivais são pensados?
4- Quais são as dificuldades encontradas ao levar essas performances a esses espaços?
5- Você acha que o figurino e a maquiagem fazem diferença nesse tipo de performance?
6- Qual a diferença dos números levados a esses espaços pros de picadeiro convencional?
7- Você acha que essas performances fazem diferença e têm um impacto positivo nos festivais?
terça-feira, 17 de outubro de 2023
Expressão artística dentro dos festivais
Existem diversas formas de expressão artística dentro dos festivais de psytrance, algumas delas são: artes visuais nas decorações, tendas, pinturas, projeções, maquiagens e roupas, etc. A parte musical obviamente onde é possível explorar várias vertentes musicais dependendo da pista. A parte cênica que conta com performances, espetáculos, oficinas, danças, etc, e é ai que entram as performances circenses. E além disso tudo é possível se expressar artisticamente com sua própria roupa, maquiagem, e a dança principalmente, que acredito ser a característica mais marcante nesse meio, afinal as pessoas vão aa esses festivais para escutarem a música e poderem dançar livremente, com isso as outras expressões são consequência, vindo para completar a experiência vivida.
segunda-feira, 9 de outubro de 2023
O que é a Cultura Psytrance?
A cultura do psytrance derivou do movimento de contracultura, que seria um movimento de questionamento e negação da cultura vigente, que visa quebrar tabus e contrariar normas e padrões culturais. No brasil, esse movimento se intensificou por volta da década de 60, com o golpe da ditadura militar. A crença de revolução disseminada na esquerda brasileira gerou um processo de politização na produção artística.
Esse estilo musical e cultural começou na Índia, por volta dos anos 60, no estado de Goa. Chegou ao brasil nos anos 90 trago por estrangeiros, que vieram pra cá e resolveram fazer uma festa no sul da Bahia. A partir disso esse movimento foi disseminado cada vez mais até chegar no que conhecemos hoje.
O movimento psicodélico é um movimento estético e artístico. As festas trance são celebrações onde se atravessa diferentes estados espirituais sob o efeito estimulante das cores, luzes e movimentos, sendo realizadas em lugares considerados centros energéticos, como praias, florestas, ruínas, etc. A decoração alude a divindades totêmicas, egípcias, pré-hispânicas, hindus, psicodélicas e cósmicas. A característica principal dessas festas é que elas não se baseiam apenas na música, incorporando também elementos locais e ancestrais, e criando, dessa forma, todo um movimento cultural em que se baseia o conceito e planejamento do evento, em uma atmosfera de tolerância e aceitação. A organização de uma festa trance é, portanto, semelhante a um ritual, onde o elemento primordial é a harmonia entre as pessoas, para que assim se possa alcançar os estados elevados da consciência, convertendo-se a festa em um ser vivo e inteligente, em completa harmonia com a natureza e o cosmos.
O Psytrance está muito ligado à natureza e carrega como cultura a filosofia de vida do PLUR, do inglês para o português, Paz, Amor, União e Respeito. Outras características interessantes presentes nesses eventos são: exposições de arte, intervenções artísticas, meditação, yoga, tenda de cura, reiki, entre outros. Grande parte dessa cultura inclui elementos do hinduísmo, budismo e xamanismo, fazendo referência à India, berço do trance.
Nos festivais de trance psicodélico as pessoas podem jogar com suas potencialidades, podem trabalhar com seu corpo, com a sua imaginação. Para isso são oferecidas oficinas de arte, como mandalas, massinha, malabares, entre outras. Além de acontecerem performances na pista de dança. Nestes festivais as pessoas podem ser elas mesmas, podem ser personagens, seja numa roupa, seja numa performance, trabalhando e jogando com a imaginação interior de cada uma delas.
Os festivais são uma “forma de resistência poética à civilização atual, uma maneira de dizer não à economia, ao tempo, às leis, ao mundo material, à igreja; e entregar-se à magia, ao imaginário, ao mito, ao jogo, ao rito, e a tudo o que está enraizado nas profundezas do ser humano”.
https://bdm.unb.br/bitstream/10483/34312/1/2020_LucasMagalhaesDuarte_tcc.pdf
https://bdm.unb.br/bitstream/10483/15946/1/2016_RenatoMacedoMachaimFranco_tcc.pdf
http://www.dfe.uem.br/comunicauem/2019/10/11/psytrance-da-origem-ao-que-e-hoje/
https://colorsdj.com/materia-psy-trance-no-brasil-como-tudo-comecou/
https://trance.com.br/blog/cultura-psicodelica/o-movimento-trance-psicodelico
quarta-feira, 27 de setembro de 2023
Apresentação
Com essa pesquisa pretendo analisar a teatralidade das performances circenses realizadas no movimento cultural do psytrance, através de trupes que realizam performances nesse meio cultural. Os elementos teatrais presentes nesses espaços e nessas performances são muito marcantes e característicos desse movimento. Pretendo dar visibilidade a essa cultura, e esse tipo de arte que é tão impressionantes e teatral quanto os números de circo que acontecem no picadeiro.
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A cultura do psytrance derivou do movimento de contracultura, que seria um movimento de questionamento e negação da cultura vigente, que vis...
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1- Como você se interessou e iniciou no circo? 2- Como foi o processo para começar a trabalhar com performances circenses? 3- Como os númer...







